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METALLICA É UMA MERDA: Se Metallica Começasse Hoje, Os ‘Raiz’ acabariam com a banda.

Se o título te ofendeu, boa notícia: você é exatamente quem teria esmagado o Metallica nos anos 80.

Mas relaxa, texto vai ofender exatamente quem mais precisa ser ofendido.

A maior ironia da cena metal

Existe um fenômeno curioso (e bem cansativo) dentro da comunidade metal.

a parcela da galera que se autoproclama “raiz”, “old school”, “true”, mas que é justamente quem menos entende o significado real de underground.

E antes que alguém venha me xingar, ou fazer algum xilique: isso aqui não é ataque. É só… constatação.

É simples identificar essa galera… Confere o checklist abaixo:

  1. Supostamente defendem o “apoio à cena”, mas nunca apoiaram de fato nenhuma cena, nem sabem de qual cena estão falando;
  2. Sempre repetem “música de verdade” como mantra, mas ouvem (exclusivamente) a mesma meia dúzia de bandas dos anos 90 que o tio descolado apresentou;
  3. Rejeitam qualquer banda nova como se novos sons fosse um insulto pessoal ou alguma forma de “teste”;
  4. Diminuem os artistas atuais;
  5. E o clássico…

Postam no Facebook e se lamentam constantemente que “o rock morreu”.

Com certeza você conhece alguma pessoa que é assim, e se você não conhece nenhuma com essas características… Sinto lhe dizer, mas…

VOCÊ É ESSA PESSOA!

Não adianta chorar agora. O texto é sobre você.

E olha só, que ironia:

O rock não morreu.

Quem morreu foi a vontade dessas pessoas de conhecer qualquer coisa que soe diferente da playlist de 1994.

O que muita gente chama de “underground” não é underground

Pergunte para um “oldschool” o que é underground e vem cada resposta que chega a doer:

– “Sepultura…”

– “Black Label Society…”

– “Lamb of God…”

– “Alice Cooper…”

E tem até quem colocasse Nirvana e Pearl Jam nessa lista, o que já ultrapassa qualquer limite do bom senso.

… E, acreditem, se eu estou dizendo isso é porque existe história por trás.

Mas, talvez, pra essas pessoas, essas bandas são underground mesmo.

Porque o repertório musical delas costuma girar entre Rolling Stones, Pink Floyd, Guns

Comparado com esses , qualquer coisa um pouco mais diferente vira automaticamente “underground” no filtro mental delas.

Mas quando você mostra banda realmente independente, de gravação crua, de selo pequeno ou da cena local, surgem as pérolas:

– “banda ruim…”;

– “som mal produzido…”;

– “coisa estranha…”;

– “aff, só toca cover…”;

“vou mostrar o que é metal de verdade…” e a pessoa coloca Cocaine do Eric Clapton.

Em resumo:

Tudo que não encaixa no gosto pessoal vira “lixo” ou “merda”, e tudo que já é gigante consideram “underground”.

Esse papo de ‘vou mostrar o que é música de verdade’ seguido do hit mais mainstream possível poderia ser um indicador de QI baixíssimo.

Tem a mesma energia do tiozão que faz a piada do pavê e de quem grita ‘Toca Raul’ nos shows: sem sentido, sem sal, baixa criatividade e, honestamente, burrice surreal.

O que é underground de verdade?

Underground é banda independente, é experimentação, é erro, risco e autenticidade. É bar pequeno, gravação crua, vontade própria em vez de algoritmo e uma comunidade que se apoia porque entende que é ali, naquele ambiente “estranho”, que todas as bandas gigantes saíram.

– Underground não é banda consagrada lotando estádio, nem álbum com orçamento milionário, nem publicidade de festival. Também não é um selo de superioridade cultural muito menos nostalgia enlatada servida como se fosse atitude.

A cena underground sempre foi o começo de tudo. É alí onde o metal nasceu antes de ser embalado e vendido.

E se liga no paradoxo:

os “raiz” idolatram quem começou no underground, mas não apoiam nenhum artista novo.

Vamos usar o exemplo mais óbvio: Metallica.

Hoje são vistos como “metal de verdade” os “fodas.

Mas no começo?

Em 1982, eles eram considerados barulhentos, amadores, sem futuro.

E detalhe delicioso: no primeiro show, eles nem repertório autoral completo tinham.

As únicas músicas próprias tocadas foram: Hit the Lights e Jump in the Fire.

O resto foram covers, muitos covers de Savage, Blitzkrieg, Sweet Savage e quase o catálogo inteiro do Diamond Head.

Ou seja: a banda que hoje é sinônimo de referência de um “metal de verdade” começou tocando covers num show minúsculo.

E adivinha quem acreditou neles? A galera da cena underground!

Agora vem o ponto que machuca:

Se Metallica Começasse Hoje, Os ‘Raiz’ acabariam com a banda.

As MESMAS críticas jogadas no Metallica nos anos 80 são as que esses “raiz” repetem hoje contra qualquer banda que tenta começar.

Se o Metallica surgisse AGORA, em 2025, lançando demo “porca”, som meio amador, vocal inseguro, timing meia-boca, com o setlist 90% cover… Os mesmos fãs que hoje juram amor eterno seriam os primeiros a comentar:

“banda fraca”,

“aprende a tocar antes de gravar”,

“metal de verdade não é isso”,

“METALLICA É UMA MERDA”.

A ironia é tão grande que chega a ser inacreditável. Porque, se o Metallica começasse hoje, e dependesse desse povo ‘raiz’, eles nem deixariam o Metallica existir.

Se Metallica Começasse Hoje, Os ‘Raiz’ acabariam com a banda.

Por que tanta gente não entende o underground hoje?

Porque o underground exige algo que muita gente não tem: ego baixo, humildade e neurônio suficiente pra ouvir dois sons diferentes sem transformar isso numa batalha de superioridade imaginária.

Todo mundo quer novidade desde que seja exatamente igual a 1986.

E até quando uma banda nova se inspira e tenta soar “old school”, dizem que é cópia.

Isso encaixa com uma ideia bem básica da filosofia:

As pessoas idealizam o passado.

Como Nietzsche já dizia, as pessoas inventam uma versão perfeita do “antigamente” e passa a comparar tudo com essa fantasia.

Walter Benjamin também fala: mesmo quando recriam algo, nunca vem com a “aura” do original. Então a galera sente que “falta alguma coisa”, mesmo que esteja igualzinho.

Resultado: nada do presente alcança esse passado imaginário.

Resumindo do jeito mais honesto possível:

Eles não querem música nova.

Eles querem o passado deles de volta.

E como isso é impossível, nada presta.

Antes que reclamem: isto não é um ataque ao mainstream

Ninguém é obrigado a ouvir banda experimental com 50 ouvintes no Spotify.

E ninguém precisa abandonar o Guns, Paramore, Queen ou o que for.

Inclusive… enquanto escrevo, estou ouvindo My Chemical Romance, aquela bem famosinha deles: Welcome to the Black Parade

Sério…

A questão aqui não é gosto.

É coerência.

Não se autodenomine “raiz” se nunca colocou o pé no subsolo da cena.

Não use “metal de verdade” como arma pra excluir o que você nunca tentou ouvir.

E, pelo amor, não reclame que “o rock morreu” se você mesmo não deixa nada novo nascer.

Já existe muita gente burra no mundo, melhore!

O rock não morreu

O rock só “morreu” pra quem estacionou no tempo, repete que inovação é heresia, exige criatividade mas só aceita clones.

Fora dessa bolha chata, o rock vive, cresce, muda e respira.

Não morreu. Você só não está olhando para o lugar certo.

Este texto é um convite para abrir os horizontes, conhecer sons novos, apoiar bandas pequenas, entender a importância da base da cena e parar de usar nostalgia como muleta cultural.

E sim, vou montar uma playlist com bandas underground realmente boas, com base no meu gosto obviamente.

E no próximo post… bem, aí vamos conversar sobre a galera emooo.

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Um comentário

  • Underground é o início de toda banda conhecida, até os maiores mainstream atuais, já foram underground.

    Pessoal realmente fica preso nesse conceito, mesmo nos dias atuais e não valoriza o pessoal novo na cena.

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